quarta-feira, 13 de julho de 2011

O nascimento de um novo tempo –Preludio para Necessidade de deus Parte 1 Vestindo um homem invisível


Preludio para
Necessidade de deus
Parte 1
Vestindo um homem invisível

    Nossa condição infantil é o que nos torna adultos um dia, perguntas e mais perguntas são feitas por crianças desde o porquê da chuva até o porquê dos cachorros não falarem como gente. Nessa condição somos guiados por nossos pais a obter resposta para uma série de questões, as vezes alguns de nos voltávamos para casa chateados porquê alguém disse algo ou fez algo que foi avessa ao nosso ideal de criação, também existem momentos de conscientização quando as nossas atitudes infantis são criticadas pelos educadores, a ponto de mudar o pensamento e a atitude de um ser que passa vinte e quatro horas filosofando e criando conceito do mundo, me lembro de que na infância brincava com caixas de remédio simulando que essas caixas eram robôs e em alguns momentos carros e em outros momentos esses mesmos carros também eram edifícios, na nossa experiência de vida notamos o imenso potencial que possuímos para relacionar um vasto universo de possibilidades e as coisas do jeito são com caixas de diversos formatos geométricos, hoje a grande maioria de nos somente vemos caixas, quando foi que começamos a assumir que caixas eram caixas e não carros casas ou robôs? Será que hoje aos meus vinte e cinco anos de idade, se um conhecido meu ou qualquer outro indivíduo da mesma idade ou mais me encontrar sentado no chão brincando com caixas iria sentar e brincar também? O que viria a se passar na cabeça de uma pessoa normal se visse um bando de homens adultos fazendo algo tão estúpido para qualquer pessoa que possa ser considerada adulta e normal em sua sanidade mental? Aprendemos desde cedo que crianças são crianças e como tal elas podem manifestar seu entendimento sobre o mundo através das brincadeiras, aprendemos também que qualquer manifestação de realidade através de simulação infantil e visões pobres em seriedade que venha ser feito por qualquer pessoa considerada adulta não pode ser tolerada, e essa pessoa deve sofrer de loucura.
    Em uma pintura abstrata, alguns podem não ver formas e talvez somente podem conseguir ver pinceladas de tinta em cores diversas que foram borrando aleatoriamente aquela tela, com o objetivo de criar algo sem forma e sem entendimento somente para fazer o observador pensar algo. Porem outros veem carros, cidades, pessoas, animais, uma serie de coisas possíveis, será que mesmo após termos desacreditado que na infância podíamos ver homens invisíveis e até falar com homens invisíveis, seria tolerado por nos qualquer adulto que apresentasse essa ideia infantil ao mundo? “_Mãe, esse é meu amigo, somente eu o vejo”, ”_Que bom meu filho, vai brincar e deixe os adultos na sala conversar coisas sérias”, em qual dessas duas posições você se encontra? Deixe-me alterar um pouco a minha proposta, “_Professor esse aqui é deus, ele explica todas as leis da física, não precisamos gastar nossas vidas com essas teorias que depois nos mesmos invalidamos”, ”_Ora sente-se, deixe estudos sérios para pessoas sérias, estudos que resultam na saúde, no conhecimento, no conforto da humanidade”. Em qual dessas posição você se identificou agora? Na colocação do aluno com seu amigo imaginário, esse amigo somente é tido por ele como palpável porque o aluno acredita nele, e para poder apresentar seu amigo que ninguém mais exceto ele pode ver o vestiu, somente podemos ver pessoas invisíveis se essas pessoas estiverem vestidas, esse amigo imaginário então foi vestido da cabeça aos pés com uma roupa tramada na necessidade de explicações por parte do aluno, e uma preguiça para procurar uma melhor explicação para qualquer coisa em seu mundo. De um certo ponto o aluno realmente encontrou a melhor explicação para as coisas em seu mundo, porém somente em seu mundo e em lugar nenhum mais. O professor por sua parte, visou um universo palpável e abrangente, aonde suas criticas não estivessem limitadas ao seu sentimento de necessidade de consolo ou de explicações para fenômenos que somente tem complicações dentro de seu universo mental. Assim como uma criança continua brincando com suas caixas, limitado a um mundo imaginário que não vê não houve, moldando as caixas em sua cabeça como se fossem feitas de massinha de modelar, o aluno modela seu deus como uma explicação para qualquer um dos problemas que o mesmo encontre, o professor já se tocou da dura realidade de que as suas caixas não são modeláveis para o entendimento do mundo real, e o professor aceita a caixa mas agora somente como uma caixa pálida com uma tarja amarela ou vermelha(tarja preta era rara) que somente é tridimensional e serve para abrigar algo. Por quê o professor escolheu ver a caixa como sendo simplesmente a caixa? Por quê o mesmo não continuou modelando as caixas de remédio? Como ele começou a enxergar o mundo, se ele simplesmente não acredita que caixas não são mais toleradas como casas, carros e robôs? Por quê o aluno continua modelando o seu deus como sendo a melhor explicação das coisas de um mundo que agora não se limita mais as caixinhas de remédio do professor? Como seria um relatório científico desse aluno, que podemos considerar como um modelador de explicações, “_deus é tão bom para explicar tudo, quanto caixinhas de remédio são boas simuladoras de casinhas, prédios, carros e robôs”.
    A figuração de um universo de coisas pode ser considerado o centro nervoso humano para o entendimento do mundo, se fecharmos os olhos poderemos descrever os eventos a nossa volta somente as ouvindo, o chacoalhar de uma chapa de raio x pode ser entendido como um raio, em liguagem de sinais as varias posições assumidas em uma mão pode estar gritando “LEIA ANTES”, assim como quando falamos algo logo vemos o mesmo se formando em forma de imagens dentro de nossas cabeças. Ao ouvirmos vozes reconhecemos pessoas, essa capacidade de relacionar as coisas da realidade física com as realidades mentais é resultado de gerações e gerações em evolução, ocupar uma posição pode ser confundido com um objetivo de posição, “_Se estou aqui é porque eu deveria estar aqui”, estou aqui e pronto e apenas dessa maneira podemos saber o que somos, “_Conhece-te a ti próprio” essa frase está gravada na entrada do templo de Delfos Conhecemos a nos mesmos? Conhecer-se e admitir é o primeiro passo para poder continuar lendo esse texto, conheço-me a mim mesmo e assumo o meu potencial criativo e a minha capacidade de confundir o mundo que vejo com as minhas próprias visões e desejos a ponto de vestir um homem invisível para que eu mesmo não a me sentir solitário em minhas crenças, e você, você consegue reconhecer seu potencial em confundir o mundo com seus próprios delírios assim como eu confundo com o meus?
    Imagine um quadro branco. Não há nada nesse quadro branco. Esse quadro branco é o que chamaremos de realidade física. A única coisa que vai tingir esse quadro branco é a nossa criatividade, porem não a sua nem a minha alem de você e eu tem ele, você  não o vê, ele está nesse quadro branco, esse quadro de um branco tão perfeito que por mais que possamos tentar encontrar, não encontraremos nada, nenhuma falha, ela continua lá tão branca quanto o mais branco de toda aquarela conhecida, não existe nenhuma molécula de poeira para tingir aquele quadro, porém ele está nesse quadro, o outro, aquele que além de eu e você leitor está nos observando encrostado nesse quadro branco tudo o que fazemos e comentamos, claro não há nada que não seja físico nesse quadro, sendo assim sem atribuir nada que o destaque nesse quadro que aparentemente e que certamente está vazio, ele apenas estará lá como qualquer coisa que nossa mente em momento de uma fraqueza qualquer e ascendente nos leve a acreditar que ele possa estar lá, agora você irá vesti-lo, vesti-lo com as coisas que você mesmo não consegue se explicar. Estou lhe oferecendo um aparato de inversão de conhecimento que nos fazem procurar razão das coisas que sabemos já termos as respostas, porém sendo a resposta que não queremos aceitar, duvidas essas atribuíveis aquele ser invisível, assim como qualquer coisa pode ser atribuído a outra para simples noção de referencia, agora o homem invisível pode ser visto não por mim mas por você, você o desenhou, manchando aquele quadro branco com sua mente rabiscando o que você vê sem precisar de nenhum lápis nem pincel e muito menos tinta, agora aquele homem(ele) pode tornar-se visível, em sua mente você vê ele mas mesmo assim continua sufocando o que a sua razão fala sobre a sua visão, a sua razão grita “_ESSE QUADRO ESTÁ BRANCO”, sua criatividade vai aos poucos tingindo o que a sua razão realmente está descrevendo, agora ele tem vida, ele se vale da necessidade de explicação para a vida ao invés da morte, coragem ao invés do medo, bem ao invés do mal, amor ao invés do ódio, calor ao invés do frio, luz ao invés do escuro. Nesse quadro branco que ainda está branco existe um homem, ele está lá para que você atribua a ele toda a sua falta de resposta e o seu escesso de confiança nas respostas que você recebeu dele, as mesmas respostas que você já não possui mais razão para questionar, ele está lá você me dirá de agora em diante. Ele não está lá, o quadro está ainda tão branco quanto foi ele um dia, como posso pedir para que você abra os olhos? Ele não está lá, busque as explicações e verá que as roupas que vestem esse homem invisível irá desaparecer, e você verá esse branco de novo.

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