segunda-feira, 2 de abril de 2012

O Moralmente Correto


Esse é um ensaio sobre a moralidade, iremos procurar por qualquer um que possa ser o guardião desse ideal, também iremos procurar por possíveis culpados do fim da moralidade. O argumento é: A moralidade está morta e perdida, apenas vive na mente dos conservadores, aqueles cujos pés nunca tocaram o chão.
A consciência conservadora.
Ser conservador é caminhar com os pés nas nuvens, é falar com mortos, é guardar cadáveres no armário.
A voz dos conservadores são as vozes dos mortos se fazendo ouvir.

Ser moralista é deixar que os mortos governem a terra, como espero validar tal argumento? Com o argumento da necessidade de liberdade, provando que uma moralidade baseada em um conjunto de dogmas somente atrasa nossa sociedade, e provando que a sociedade está rumando ao fim dessa moralidade religiosa, estamos todos lutando a favor dos direitos de expressão e pensamento, sendo que apenas aquelas mentes conservadoras ainda exploram nos antigos padrões de moralidade um ideal de vida.
Espero que toda mente saudável valorize a liberdade, de pensamento e de expressão, espero também que cada criança e homem velho trema de medo toda vez que ouvir alguém anunciando sua moral absoluta. Porque devo ser moralmente correto? Por que tremo ao ouvir essa verdade?
Verdade sem argumentos é ditadura, mentiras impostas sem argumentos são verdades, minha verdade pode não ser a sua, cada verdade é única, o que fazemos então para somar nossas verdades? Argumentamos com nossos vizinhos nossas verdades e eles as deles, fazemos isso com aproximadamente nossos outros 6.999.999.999 vizinhos, mas é lógico que não fazemos isso, porém todos os ideais são pesados no que chamamos de bem comum, aonde a meta é alcançar o bem comum de todos sem que esse bem interfira no do próximo, dai então passamos a ter uma verdade, um certo e vários errados.
Sem nenhuma argumentação, quando um conjunto de regra é imposto independentemente do que cada indivíduo acredita, pensa ou sente, com o certo e o errado passando a ser ditado, sem ser colocado a luz do entendimento da necessidade geral ou sem nenhum juízo prévio, instituímos a tirania.
Isso não está ainda ficando claro? Ser conservador é sentir necessidade de um guia ou um conjunto de regras moralmente corretas, estando sob os ditames de propostas de certo e errado, independente do seu sentimento ou pensamento, uma mente conservadora nega a si e aos outros sua razão. A necessidade de verdades universais tornam os conservadores inflexíveis as mudanças do tempo, as gerações mudam, novas fronteiras devem ser exploradas, o conservador conserva consigo tudo aquilo que ele acredita ser uma verdade absoluta, portanto em suas mentes tudo o que o mundo fizer vai ir de contra aquilo que é verdade para ele, a legitimidade do casamento gay, a liberdade feminina ou mulheres fazendo exatamente o que homens fazem, a santidade da vida segundo seus dogmas instituindo uma barreira sobre as pesquisas com células tronco, a santidade do sexo a ponto de impedir distribuição de métodos contraceptivos em áreas de epidemias de D.S.T.
Não consigo enxergar liberdade nenhuma no conservadorismo, ser conservador nada mais é do que estar fortemente ligado a conceitos que estão desaparecendo, é tomar a causa morta de uma verdade absoluta, é impor aos outros o que afinal de contas é para si, algo que não é para os outros, afinal se não é assim, o que há de tão maravilhoso em uma filosofia que valoriza a virgindade feminina até mais do que as próprias mulheres? O que há de tão glorioso ou santo em forçar uma mulher a deitar-se com ela não quer? Isso é um valor de uma era já passada, fadada a morte e abraçada por muitos como sendo uma filosofia conservadora.
O que uma mente conservadora tenta preservar senão somente valores pessoais que, de foram instituídos às portas fechadas por aqueles que nunca seriam afetados por ela. Para o conservador liberdade e libertinagem são sinônimos, ou seja a liberdade destruiu a moralidade nos homens, e assim ele deve se libertar dos ideais contemporâneos.
Estão destruindo toda moral? A tradicional moralidade e a boa família estão morrendo? Não temos mais aonde esconder as crianças cristãs da perversidade desse mundo? Não devemos aceitar que uma mulher decida com quem ela quer transar? Para quem é valioso a virgindade feminina? Quem deve decidir com quem ou quando uma menina deve experimentar e fazer sexo? Ser mãe sem estar oficialmente casada é errado? E se for como punir tal conduta? O que fazer para restaurar todas aquelas boas tradições, aquela boa e velha moralidade?
Com o argumento do direito moral da boa tradição familiar, os conservadores estão atrasando todos os processos humanistas baseados no direito individual, ao sentirem-se ofendidos em sua boa moral familiar, estão vetando projetos que dão aos indivíduos plena liberdade sobre suas decisões mais pessoais. os mesmos se reservam ao direito de colocar sua moralidade em prática.
Usando um argumento T.F.P(Tradição Família e Propriedade) e exigindo para si o direito de criticar comportamento, os conservadores estão expondo ações sociais como lei anti-homofóbica e movimento pró-aborto, em verdadeiros obras de demônios anticristãos, que visando destruir a boa família de nosso país, estão tirando o direito de criticar gays e dando as mulheres pecadoras uma forma de se livrar de seus pecados.
O tempo entorta qualquer ferro, e o tempo entortou as colunas das igrejas e de seus preceitos morais. Como podemos nos definir obedientes a boa e velha moral, se devemos apenas fazer cumprir aos outros tudo aquilo que não nos cabe? Devemos punir uma menina de treze anos por ter se deitado com um menino e ter perdido sua virgindade? Se eu aceito a gravidez como consequência e até punição de um pecado sexual, porque devo obrigar os outros a aceitar tal conceito? Porque punir uma mulher com uma gravidez indesejada é comparável a redimi-la de seus pecados? Existe um ditado popular no qual é dito que filho de puta tira mãe da culpa. Assim deve ser?
Esses obcecados por pureza sentem-se ofendido quando sabem que outros seres humanos não estão vivendo sobre os mesmos preceitos, sentem uma extrema necessidade moral de intervir e mostrar seus métodos de viver. Transformando-se em esteriótipos deles mesmos, transformam todas conquistas humanas em abstração de um mundo baseado em uma moralidade medieval que não pode ser aplicada a uma sociedade que visa defender os direitos do individualismo.

Os culpados da morte da moralidade
Um bom Samaritano é com certeza um anti-cristo pois ele não julga, não pune, o bom samaritano sem esperar nada em troca abraça humanidade, o bom cristão esperando salvação abraça a cruz, espera que os maus se curvem ou sejam destruídos, segundo o que esperam na segunda vinda de cristo.


Sou levado a acreditar que todos seres vivos visam sobreviver, e o fazem com artimanhas e técnicas surpreendentes, porém para nos seres humanos sobreviver somente já não basta, por que dessa mudança radical? Afinal, o importante não é estar vivo acima de tudo?
Um mundo com sete bilhões de seres humanos deve gerar mais conflito de ideias do que um mundo com dois bilhões, assim como um mundo com apenas meio bilhão de pessoa deve ter menos conflito de ideias do que um mundo com dois bilhões.
Será que nossos antecessores que desenvolveram a cura para a polio sabiam que uma população aonde não morre gente o crescimento populacional passa a ser exponencial? Se estamos em busca de culpados pela nossa superpopulação esses talvez sejam os primeiros culpados, porém a superpopulação pode estar nos mostrando alguma coisa.
Mesmo tão próximos quando falamos em medida de tempo, podemos notar a grande diferença do comportamento das pessoas dos últimos cinquenta anos, nesse meio século evoluiu em nós um sentimento de irmandade, desenvolvemos em nós a maior ferramenta para a sobrevivência, estando em todos nós e ao mesmo tempo em ninguém, uma ferramenta para sobrevivência aos poucos vai sendo afiada, essa ferramenta é moldada pelos processos autocorretivos da convivência.
Um paradigma novo surgiu, uma nova forma de preservar a humanidade, o paradigmas da sobrevivência pelo melhor método de convivência. Por visar o melhor método de convivência essa ferramenta aborda todos os mais profundos conceitos de deveres e direitos individuais de forma autocorretiva e progressiva.
Com nossa forma atual de conviver estamos deixando para traz conceitos que não podem mais ser sustentados sem debates. A moralidade baseada em dogmas ainda é guardada por aqueles que se denominam conservadores.
Por fim os verdadeiros culpados da morte da boa moralidade são aqueles que buscam promover uma convivência saudável entre os diversos indivíduos, aqueles lutam pelo direito das mulheres de dirigir sua própria vida sexual, aqueles que defendem o direito de interromper uma gravidez indesejada. Os culpados da morte da boa tradição familiar são todos aqueles que sentem-se ofendidos ao ter alguém dizendo a uma mulher com quem ela deve transar.
Podemos atribuir a responsabilidade do descaso com a moralidade feminina dos bons tempos, aquelas mulheres que se expuseram as pressões sociais de sua época e buscaram sua independência e o reconhecimento de suas capacidades intelectuais. Essas mulheres podem ser responsabilizadas e até criminalizadas pela morte do repeito sexual feminino, ou serem respeitadas por sua conquista como mulheres corajosas, independentes e de pulso firme que não irão mais esperar que seus pais ou maridos lhes digam o que fazer e quando fazer, essas mulheres podem ser consideradas verdadeiras mães da liberdade.
Quando não aceitaram mais estar sobre os pés de homens e resolveram escolher seus próprios parceiros sexuais, também passaram a ter o direito de poder desistir de um casamento traumatizante, nasceu então a liberdade de expressão feminina.
Com o surgimento de métodos anticoncepcionais que possibilitaram as mulheres controlarem suas capacidades reprodutivas, passando a gravides de um processo que transformava a mulher em escrava de um sistema, para uma opção familiar, dali pra frente transar não era mais sinônimo de gravidez, o que deu a mulher mais liberdade para viver suas vida, assim como os homens faziam.
Os cientistas que desenvolveram esse métodos também são culpados, tanto quanto aquelas mulheres que resolveram usar seus anticoncepcionais para não engravidarem de qualquer um. Os mesmos deram as mulheres a ferramenta mais poderosa contra os tradicionais valores da família, aqueles valores que obrigavam a mulher a ficar grávidas no mínimo uma vez por ano, tornando o corpo feminino em uma máquina reprodutora, aonde muitas mulheres não suportavam tamanho estresse e por fim morriam de derrames, infecções. Fístula era um problema comum entre as mulheres da boa e tradicional família, o que levava os pais de família buscarem por novas alternativas sexuais, mesmo assim ainda há os ficionados por esses bons e velhos valores.

Um comentário:

  1. Concordo que a moralidade baseada em dogmas atrasa a vida. Os exemplos que tu colocou já são suficientes para mostrar isso. Ainda bem que vivemos em tempos melhores, mas ainda há muito o que se melhorar. Penso que sempre devemos atualizar nossos conceitos morais e que ninguém é perfeito pra definir verdades absolutas, como tu bem disse.

    Semana passada eu estava pensando justamente nisso: valores morais. Eu tinha acabado de ir a uma casa espírita e estava satisfeito com o que ouvi. Foi uma palestra sobre a família, onde o palestrante deu algumas dicas de como conviver bem em família. Eu gosto destes ensinamentos morais prontos, ou seja, experiências que as pessoas compartilham e que tem dado certo pra elas. Daí cabe a mim utilizar aquele conhecimento ou não, sem obrigação. E se eu não gostar, só descartar e tentar outra coisa, até formar um modelo que se adapte a familia que eu pertenço, que seja bom para todos os membros.

    Outra coisa que me fez pensativo naquele dia foi que muitas pessoas não tem onde se reunir para compartilhar este tipo de experiência. É um dos motivos que me levam a frequentar aquele lugar. Acredito que seja esse o motivo que faz muitos procurarem lugares como esse também, pois nem sempre temos maturidade para lidar com os diversos problemas da vida em grupo.

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