quinta-feira, 3 de maio de 2012

O Grande Cético

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O Grande Cético

 Parte 1
Na busca do verdadeiro Cético

Essa é uma série de análise sobre ceticismo, afinal todos temos nossos próprios Lázaros,  e como tal ele também nos assombra, pois temos medo, medo de estarmos errados, e muito mais medo ainda de estarmos errados e sozinhos. Um dos crivos que nos une é a multidão ou o argumento da maior aceitação, afinal se todos estão errados e estão juntos, do que vale eu estar certo e sozinho? Logo estou então a vista de todos errado e sozinho, pois todos estão certos, porque eles são apenas todos(a multidão), enquanto eu sou apenas eu, nessa parte quero fazer uma passagem curta para fazer uma análise acerca do espirito de era ou zeitgeist, e explicar o que me torna cético.
Quero começar meu artigo com uma curta nota de humildade: Não posso dizer que duvido de tudo, não posso duvidar de tudo, posso questionar tudo esse é meu direito, não posso determinar como deve ser o cético, posso dizer o que um cético faz, mas não o quê o faz. O título Na busca do verdadeiro cético sugere uma clássica falácia chamada de falácia do escocês, por vir de um ditado escocês que suscita os bons atributos do verdadeiro escocês, o verdadeiro escocês não faz isso ou simplesmente faz assim.
Na busca do verdadeiro Cético veremos nosso determinismo afrontando nosso bom-censo, isso nos levará a refletir sobre nossas crenças e descrenças, pois a maior distancia para um erro é um passo mal dado. Existe algo em nós que nós faz temer, algo em nós que nos faz querer fazer parte de uma massa que acredita estar certa, em minhas verdades temo estar errado já que a maioria do que para mim está errado acredita simplesmente estar certa, sou um homem com uma escolha singular, isso me torna singular, isso me torna errado?
Quem está preparado para abdicar de seu Lázaro? Abandonando suas dúvidas pela massa com suas certezas e verdades absolutas, pois verdades sejam ditas, cada ouvido é uma arte, cada ouvido é seu próprio Michelangelo. Nunca vendo a paisagem, a descrição do mundo externo aos meus ouvidos estão apenas dependendo das minhas habilidades com o manuseio dos pinceis e tintas quais possuo para fazer a melhor descrição da realidade.


O que me torna cético?

Manter-se livre de conceitos e afirmações que façam referências a valores que não podem ser racionalizados é a melhor definição para uma posição cética. Porém ser cético não é o mesmo que duvidar de tudo ao passo que existem muitas afirmações em que o uso de valores que não podem ser racionalizados se fazem necessários e até inevitável, mas assumir essa verdade não me torna de nenhuma forma um hipócrita quando eu assumo que duvido de afirmações incríveis que possuem explicações incríveis.
Porquê a vida imortal não pode ser provada sem que se coloque em jogo a vida mortal, espero que nenhum cristão venha a se atirar na frente de um carro, da mesma forma que não sou cético de tudo e isso não me torna nenhum hipócrita, espero que nenhum cristão não se mate por acreditar que vai sofrer uma morte certa, mesmo ele acreditando em ressurreição, não o trato como hipócrita por temer a morte.
O medo da morte não é uma regra válida para toda uma massa de crente e fiéis, visto que muitos aceitam a morte como promessa a um futuro de vantagens, para visualizar melhor a situação basta visitar os restaurantes de Tel Aviv que conhecem muito bem o grande potencial de uma promessa de vida eterna, potencial de fé que faz com que pessoas explodam temperando suas comidas com pedaços de gente, um verdadeiro show da fé que causa inveja em muitos televangelistas nacionais, mesmo assim ainda vale uma ressalva, os televangelistas conseguem sustentar suas gigantescas fazendas, conseguem pagar horas de programação em canais de TV aberta, constroem prédios milionários e sustentam seus jatinhos particulares apenas limpando a carteira dos fieis, simplesmente os fazendo questionar sua fé.

Daniel Dennett

[...] [A]queles que não questionam a justeza dos ensinamentos morais de sua religião constituem um problema: se não avaliaram cuidadosamente, eles próprios, se seus pastores, padres, rabinos ou imãs merecem exercer tanta autoridade delegada sobre suas vidas, então estão adotando uma posição pessoalmente imoral

Defendo que qualquer pessoa que argumenta que um ponto particular de convicção moral não é discutível ou negociável [...] deve ser vista como alguém que impossibilita ao resto de nós levar seus pontos de vista a sério, alguém que se distancia da discussão moral por inadvertidamente reconhecer que seus pontos de vista não são mantidos com consciência e não são merecedores de atenção maior.

[...] [S]ó existe uma maneira de respeitar o teor de qualquer edito moral supostamente passado a nós por Deus. Devemos analisá-lo conscienciosamente, à luz plena da razão, fazendo uso de todas as evidências que temos à nossa disposição. [...]

A dúvida é a melhor ferramenta da razão, e é por isso que ela é usada por homens de admirável inteligência para manipular aqueles que possuem puco da mesma, as pessoas temem estar erradas isso é fato, quem nunca escutou a velha história de Lázaro, e como Lázaro as pessoas temem estar erradas sobre as verdades de suas doutrinas, um muçulmano explodido-se, matando crianças e mulheres tem tanta convicção de viver depois da morte, quanto o pai testemunha de jeová que nega ao seu filho uma transfusão de sangue.
É questão de critério pessoal poder definir o que nos é dito como sendo falso ou verdadeiro com relação a eventos que somente podem ser sustentados sobre revelações, tal como o argumento de Lázaro, não posso afirmar ser verdadeiro, porém vejo muitas pessoas usando-o como fato para testar a crença ou descrença alheia, não posso acreditar por critérios pessoais acreditar que Lázaro é um exemplo de ressurreição, e muito menos estou disposto a testar a crença de cristãos sobre a ressurreição do mesmo, isso tem um nome simples, bom censo, somente posso argumentar com alguém algo que o mesmo possa usar de critério racional.
Revelações são os pilares de qualquer crença religiosa, Deus revelou seu plano a Maomé e os muçulmanos o seguem sem cogitar explodindo-se, jogando inocentes em uma terrível miséria de tortura, sofrimento e morte, por acreditarem estar sendo guiados por uma mão divina pela revelação, instituíram santidade à um homem como todos outros, delegaram a ele o controle sobre o seu direito de existir e ao mesmo tempo o direito de ordenar a morte e o massacre de muitos outros homens, isso é um problema pois uma vez que não podemos dizer quem está certo, todos estarão certos, pois os mesmos não possuem critério pessoal para definir a quem e porquê deve ser delegada tal autoridade.
Deus através de São Paulo fundou a igreja católica, deixando aos papas o título de pontífice, delegando a esses homens o direito de tomar qualquer decisão para salvar a alma dos homens de uma condenação terrível, tão terrível quanto a morte. Essa delegação de autoridade divina, justifica todas as piores ações tomadas na igreja católica, pois tais ações somente foram tomadas para salvar a alma dos homens, caça as bruxas, cruzadas, assassinatos de ameríndios, bloqueio de projetos contraceptivos em países vitimas de epidemia de HIV, incitar ódio contra judeus, difamando uma etnia inteira de ter assassinado um deus, causando posteriormente o sofrimento de inocentes e um massacre que irá envergonhar toda a humanidade, e assim por diante, porém é tudo justificável para quem é católico.
Algo que não podemos comprovar é se realmente Deus revelou-se ao mundo através de figuras humanas como Silas Malafaia, Valdomiro Santiago, R R Soares, Edir Macedo, Joseph Smith, Peter Popoff, Joel Osteen, e muitos outros, não há como provar qualquer uma destas afirmações, por fim gerando um grande problema pois não há nenhuma forma de confirmar suas alegações dentro de critérios empíricos, qualquer justificativa a essas afirmações dentro de qualquer desses paradigmas religiosos estará limitada aos argumentos teológicos. Não existe base empírica alguma para confirmar ou negar qualquer alegação de qualquer religioso, cabendo então somente o caráter pessoal poder fazê-lo, é questão de bom senso aceitar argumentos que não podem ser validados por evidencias ou testes, esse é o problema do crivo pessoal, esse é o bom senso.
O problema do crivo pessoal é que ele é pessoal, não existe nenhum almanaque em que as pessoas possam encontrar informações técnicas da religião ou do conceito religioso verdadeiro. As religiões já inventaram uma ferramenta de defesa acaso sejam de alguma forma atacadas por alguém ou algo, a palavra apostasia é defesa usada sobre qualquer crítica feita a mesma religião, já existe uma pré-definição de desvio da verdade para com as outras congregações, portanto de uma religião para a outra se aplica a apostasia.
Enquanto houver pessoas que não possuam critérios pessoais forte bastante para poder definir quem deve receber autoridade sobre suas decisões e seus critérios morais, estaremos sempre presos a moralidades desumanas, e pessoas presas a esses conjuntos morais estarão sempre limitando os processos humanistas que suprem as necessidades de nossa era, e nós estaremos sempre limitados a poder conhecer e desfrutar de todo nosso potencial como indivíduos livres de um processo cego que dobra todos os seres vivos as vontades da pressão natural.
Todos tememos ser Lázaro em diferentes verdades, e isso nos assola, não possuo nenhum tipo de argumento que me permita acreditar que um homem bomba não possua nenhum pingo de dúvida sobre o que irá acontecer depois de sua morte, a única coisa que posso dizer é que ele o faz, mesmo sabendo que seus líderes e influenciadores ainda não explodiram para confirmar tais possibilidades, eles o fazem.
Antes mesmo de ter nascido é colocado dentro de cada ser humano toda justeza do universo,e ao mesmo é dado a liberdade e a responsabilidade mínima para poder julgar tudo que é imposto a ele, então todo conjunto de regra será manifestando em um zeitgeist(termo alemão para espirito de era). Se tivesse que definir o que zeitgeist, encontraria problemas e mais problemas, pois não existe nenhum conjunto de regra que defina o que é zeitgeist.
Eis um zeitgeist. Não nos cabe perguntar que mundo é esse que foi deixado a nós por nossos pais, mas devemos perguntar-nos que tipo de filhos nossos pais deixaram ao mundo, não nos cabe perguntar que mundo deixaremos para nossos filhos, mas que filhos deixaremos para o mundo.

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