quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O mundo onde eu gostaria de viver

O mundo onde eu gostaria de viver




O mundo em que gostaria de viver é aquele onde as emoções são fortes, mas não destrutivas e onde, porque são aceitas, não conduzem a ilusões o próprio individuo ou seu próximo. Tal mundo deveria ainda admitir a amizade e o amor, a busca da arte e do saber. Não posso esperar satisfazer aqueles que desejam algo mais feroz.

Bertrand Russell– Human Society  in Ethics and Politics



Acerca do  Poder


“Em que mundo eu gostaria de viver?”. Acredito que essa pergunta toma vários rumos, seria esta de resposta mais simples em minha infância, ao que se mostra complexo em minha idade atual, de forma que se tornará mais simples novamente em minha velhice ao que posso ver no quadro geral. A visão temporal dessa pergunta é especialmente intrigante: “Ah se pudesse transformar o mundo aonde realmente viria a viver quando me tornasse adulto”, “A se pudesse mudar um pouco as atuais situações”. O “gostar de viver”, está conectado diretamente aos prazeres das grandes emoções, tais com amar e ser amado, louvar e ser louvado etc... Querer viver em um mundo conforme meu ‘desejo’, conhecemos alguma verdade senão as que nos levam as grandes emoção?
Há uma verdade oculta por entre as palavras do Russel logo no início do texto, a de que as mais ferozes das emoções estarão sempre entregues as realizações do poder, não devemos deixar de considerar o ‘poder’ se quisermos definir um lugar melhor para vivermos, pois poder é vantagem, é direito e é a ordem sobre a qual baseamos nosso senso de sociedade, quem está no poder pode ter louvor assim como todo tipo de acesso a benefícios inalcançáveis a muitos. Os privilégios encontrado em status local superior possibilitam acesso direto pela representação de tudo o que o poder pode fornecer, as engrenagens que mantêm a sociedade coesa.
A capacidade de realizações desse fascínio por poder, é de presença e vontade comum a grande maioria dos habitantes de diversas culturas. Em sociedades caçadoras, todos machos jovens cobiçam o status de guerreiro, o acesso as engrenagens sociais locais como a vantagem do respeito, poder de liderança e de persuasão. Na atual sociedade capitalista, os machos tanto jovens quanto adultos, cobiçam o status de independência econômica, tornando-se o admirado empresário que tem acesso as engrenagens sociais locais pela influência direta do seu poder de aquisição, respeito e admiração, poder nas tomadas de decisões públicas, representação popular e outros benefícios corruptíveis, acesso a melhores condições judiciais além dos demais.
Na sociedade militar o status se baseia em liderança, obediência e proezas nos conflitos, os então definidos heróis de guerra tem acesso a melhores condições de segurança, assim como melhores tratamentos, poder na tomada de decisões e poder de persuasão. Liderança e privilégios sobre as engrenagens sociais, é o que torna o poder tão sedutor em todas as culturas humanas, o poder é visível pelas vantagens e garantias de benefícios, que podem com muito mais facilidade trazer a todos que o possuem, as emoções e os prazeres de todos os níveis, desde as mais singelas até as mais ferozes.
Isso talvez possa servir de resposta ao caso do grande aumento de adeptos da atual moda nacional, a ‘ostentação’. Carro, dinheiro, mansão, sexo e muito mais. Ai vem a grande pergunta para se chegar ao pé de outra, mas desde quando não foi assim? Essa condição é novidade de alguma maneira? De alguma forma não chegamos às questões da condição natural humana pela necessidade de poder, sendo estas debatíveis somente aos longos tratados da natureza humana? O bom selvagem de Russeal se opõe ao Leviatã(o mal selvagem) de Hobbes, ao natural o que é o próprio homem e sua busca constante pela felicidade, senão suas realizações de um mundo em que ele gostaria de viver? 
O mudo em que napoleão gostaria de viver, era um mundo onde ele seria imperador, ditaria as regras e faria suas próprias guerras quando bem entendesse, Hittler e Mussolini acreditavam no mesmo, porém a sua própria maneira. Não muito longe dos ideais fascistas, nazistas ou napoleônicos está o ideal capitalista, o rei, o imperador e o ditador, foram substituídos por indivíduos que tendem a explorar ao máximo as liberdades e os benefícios atribuídos a seu status, de alguma forma está bem mais que explicitado a todos nos pela corrupção, o quanto é tendencioso o poder e seu fascínio.
O prazer promovido pelas realizações emocionais, é a chave para entender o mundo em que cada indivíduo deseja viver, isso é inegável, é uma questão de truísmo, o poder que parece ser o grande dono dessa verdade é apenas um meio de obter tal realização, é a base de nossa sociedade ao que entendemos por ‘ordem’, e apenas isso. Em uma maneira ‘Russel’ de pensar, acredito que além da mente humana o poder não tem sentido, afora da ordem das sociedades humanas somente não tem força alguma, pois somente existe dentro dos imperativos das sociedades humanas, onde não pode ser usado de nada serve, a lei somente tem poder sobre os homens se os mesmos a respeitam, para além da mente humana nada de humano faz sentido, o mesmo se aplica a moral, ao governo, aos rituais, as religiões e muito mais.
Com relação ao poder o mundo no qual eu gostaria de viver é um lugar não onde os homens se absteriam deste, mas onde antes de tudo, tendo ciência dos resultados históricos acerca da vontade de ‘poder’, um mundo sem temor e sem louvor ao poder que promove o controle dos homens, onde este serviria apenas de ferramenta ao homem, nunca sendo usado para o domínio, sim para ajudá-lo, um mundo em que o direito de se entregar aos devaneios da corruptiva vontade de controle pela execução do poder, não seria poíbido nem mal visto, porém interpretado como problema de saúde e tratado como tal. Além da mente humana o poder não tem sentido. Aos demais que escolhem seu mundo ideal baseado no poder, não pedirei nada a não ser que se lembrem do que já nos mostrou a história da humanidade, o custo final de um simples sonho de domínio pode ser quantificado nas pilhas de cadáveres que calçaram grandes realizações.